O'Neill volta a defender moeda local para comércio entre Brics
Criador da sigla "Brics" avaliou que a economia brasileira está muito atrelada ao consumo interno
Anne Warth, da Agência Estado
SÃO PAULO - O principal desafio do Brasil é aumentar sua presença no comércio internacional e manter a inflação e as suas expectativas em níveis baixos, na avaliação do economista-chefe do Goldman Sachs, Jim O'Neill. Em videoconferência realizada pela Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomércio-SP), o criador do termo Brics para designar o grupo formado por Brasil, Rússia, Índia e China, avaliou que a economia brasileira está muito atrelada ao consumo interno, algo que enfraquece o real frente a outras moedas internacionais.
"O real está mais fraco que o rublo russo. Isso acontece porque o Brasil tem participação reduzida na economia internacional", salientou. Segundo ele, o Brasil atravessa forte crescimento da demanda interna, a exemplo do que ocorre na China. "Me parece necessária uma política monetária bem ajustada para controlar os preços e para que as projeções de inflação não cresçam muito", sugeriu. Na avaliação do economista, o País está colhendo os primeiros frutos resultantes de uma economia estabilizada.
O'Neill voltou a defender que os Brics implementem o uso de moedas locais no comércio entre si. Para ele, o comércio entre os países do grupo cresceria muito caso a ideia fosse efetivada. De acordo com ele, um dos desequilíbrios existentes hoje na economia mundial é que os Estados Unidos representam 30% do Produto Interno Bruto (PIB) global, mas o dólar corresponde a 70% das reservas internacionais.
"Isso não faz sentido", disse, ressaltando que a moeda norte-americana é hoje mais importante que os Estados Unidos. "Acredito que o uso de moedas locais no comércio seja uma ambição sensata", afirmou. O'Neill ponderou que alguns dos Brics, especialmente a China, terão de fazer ajustes para tornar esse sistema operacional, mas menosprezou a opinião do diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Pascal Lamy, que considera a ideia ruim. "não quero desrespeitar a OMC, mas a verdade é que a opinião de Lamy não quer dizer nada", ironizou.




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