sexta-feira, 23 de abril de 2010

Boletim Investshop 23/04

Boletim diário Investshop de 23/04

Grécia pede ajuda ao FMI e sustenta alta nas bolsas da Europa

E a Grécia, mais uma vez, domina as atenções do mercado nesta sexta-feira. O país fez hoje à União Europeia e ao FMI o pedido formal de ativação do pacote de ajuda de 45 bilhões de euros. As bolsas na Europa, que já operavam no terreno positivo, sustentaram a alta, embaladas ainda pela divulgação de que o índice Ifo, que mede o sentimento econômico na Alemanha, cresceu mais do que o esperado em abril.

Nos EUA, a agenda reserva as encomendas de bens duráveis de março, às 9h30, e as vendas de imóveis residenciais novos (também de março) e o resultado final do índice de sentimento do consumidor da Universidade de Michigan em abril, às 11h.

Na Ásia, a semana terminou no terreno negativo, com as principais bolsas em queda. A bolsa de Tóquio recuou 0,3%, enquanto Hong Kong perdeu 1%. No mercado doméstico, o IPC-S da 3ª quadrissemana de abril veio em 0,76%, levemente abaixo da leitura anterior (0,80%).

Curtas

» Considerações sobre capitalização


Após participar de roadshow com clientes, a analista Paula Kovarsky discute em relatório três riscos adicionais em relação à capitalização da Petrobras (PETR4) que devem ser levados em consideração: (i) o fato de que até agora não houve questionamento no Senado sobre o regime de participação especial, (ii) a estrutura da capitalização e (iii) os temores de um follow-on "normal", sem ligação com os barris. A analista, no entanto, acredita que o resultado do processo possa trazer surpresas positivas para a Petrobras e reforça a recomendação de outperform (desempenho acima da média do mercado). Em relação à participação especial, o principal risco ao cenário de valuation de 5 bilhões boe (barris de óleo equivalente) é a dificuldade de se prever como ficará a discussão no Senado. No entanto, a empresa poderia atribuir um benefício menor na taxa de participação especial usando uma premissa mais conservadora sobre a produção do pré-sal. Já para a estrutura ao aumento de capital, a analista vê dois cenários: uma oferta privada em que os minoritários recebam direitos de subscrição ou uma oferta pública em que os minoritários tenham prioridade de alocação. A analista prefere a segunda opção, que seria mais bem recebida pelo mercado e traria mais transparência ao processo. Por fim, caso a capitalização não seja aprovada, um follow-on "normal" seria pouco provável, na visão da analista, considerando que isso exigiria do governo capital para a subscrição – caso contrário, ele seria diluído. O cenário mais provável seria a capitalização ficar de lado até 2011. Até lá, o esperado seria a empresa diminuir os investimentos, que poderiam ficar abaixo dos R$ 88,5 bilhões anunciados.

» Números de produção de março da Petrobras


A produção doméstica de petróleo da Petrobras (PETR4) em março, anunciada ontem pela empresa, registrou ligeiro crescimento de 0,3% em relação ao mês anterior, atingindo 1,994 milhão de barris por dia (bpd). Apesar do crescimento, a companhia ainda apresenta números abaixo do estimado pela analista Paula Kovarsky e do guidance (indicação de desempenho) dado pela estatal. A analista, no entanto, vê espaço para um maior crescimento na produção à medida que novas plataformas entrem em produção ao longo do ano e reforça a recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado) para as ações da Petrobras, com preço justo de R$ 53,70 para o final de 2010.

» Jirau pode aumentar sua capacidade instalada


De acordo com matéria do jornal Valor Econômico, a concessionária que constroi Jirau requisitou à Aneel o aumento de 300 MW na capacidade instalada da usina, o que elevaria a capacidade para 3.750 MW. Segundo o analista Marcos Severine, aplicando-se esse mesmo raciocínio para o restante da usina, a receita extra gerada poderia chegar a R$ 210 milhões, considerando o preço de R$ 140 MW/h. Dessa forma, a notícia do provável aumento na capacidade instalada é positiva, dado o aumento relevante. O analista lembra que a Tractebel (TBLE3) deve comprar o projeto de Jirau de sua controladora, a Suez, no final de 2011 e há, no mercado, a expectativa de que a empresa adote uma nova metodologia para a transferência do ativo – no final do ano passado, quando houve a transferência da hidrelétrica de Estreito, o mercado penalizou as ações da Tractebel por ter considerado a transferência cara. O analista, no entanto, acredita que ainda é cedo para montar posição nas ações TBLE3, uma vez que os resultados do 1º e 2º trimestres devem vir fracos, por conta da sazonalidade, melhorando nos dois últimos trimestres do ano. Além disso, caso realmente haja essa mudança de metodologia, ela não deve ocorrer dentro de dois meses, pelo menos.

» Feedback sobre o roadshow por Brasil, Ásia, América do Norte e Europa


Após realizar roadshow por Brasil, Ásia, América do Norte e Europa por duas semanas, podemos destacar os seguintes pontos: uma esmagadora maioria de nossos clientes está de acordo com nosso enfoque cauteloso em relação aos mercados de ações no Brasil. Os investidores observam que os valuations devem ser pressionados na maioria das métricas, e identificam uma valorização limitada relativamente aos níveis atuais. Já nossa visão pessimista em relação aos bancos se mostrou claramente diversa do consenso, porém foi bem recebida pelos clientes. Por outro lado, nossa perspectiva otimista em relação à Petrobras foi rejeitada pela maior parte dos investidores, que seguem acreditando que as incertezas relativas ao aumento de capital ainda são excessivamente grandes para justificar uma maior exposição às ações da companhia. Em relação às siderúrgicas, nosso cenário otimista se mostrou alinhado com o consenso. No entanto, acreditamos que o setor está passando por uma grande mudança estrutural, e que as usinas siderúrgicas brasileiras estão se deslocando para um patamar de maior lucratividade, enquanto os clientes estão comprados no setor devido a um movimento técnico de recomposição dos estoques de aço. Os setores de construção, consumo, energia elétrica e telecomunicações parecem ter pouco apelo junto aos investidores no momento. No geral, continuamos a observar a ausência de novos fluxos de recursos vindo para o país, o que possivelmente deve limitar a valorização no curto prazo. A recente onda de revisões para cima nas estimativas de crescimento do PIB deu esperanças aos otimistas, porém até agora foi ignorada pelos mercados. Sendo assim, continuamos a observar o mercado andando de lado, enquanto este se volta para seus valuations correntes, com as quedas limitadas pelas condições atuais de liquidez.


* ND: Não disponível Carlos Constantini
* este relatório foi elaborado pela equipe de Pesquisa de Renda Variável da Itaú Corretora.

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