Boletim diário Investshop 19/04
Semana começa tensa, com Goldman Sachs trazendo preocupação
A semana começa tensa nos principais mercados internacionais, refletindo as antigas preocupações levantadas pela saúde financeira da Grécia e os novos temores trazidos tanto pela erupção do vulcão islandês, que instalou o caos nos voos e nas ações de empresas aéreas na Europa, quanto pela acusação de fraude que pairou sobre o banco Goldman Sachs na sexta-feira. No mercado doméstico, a Bovespa deve sofrer ainda mais volatilidade por conta do vencimento de opções.
Com esse cenário pela frente, as bolsas da zona do euro operam em queda moderada na manhã desta segunda-feira, assim como os futuros americanos. Na Ásia os principais mercados registraram fortes quedas – a bolsa de Tóquio caiu 1,7%, influenciada pelo Goldman Sachs, e a bolsa chinesa perdeu 4,8% após o governo anunciar, durante o fim de semana, uma série de medidas para conter a expansão do crédito imobiliário.
Na agenda do dia dos EUA, a segunda-feira reserva apenas os indicadores antecedentes de março, às 11h. Ao longo da semana os destaques ficam com o PPI (índice de preços ao produtor) e as vendas de casas usadas, na quinta-feira, e as encomendas de bens duráveis, vendas de casas novas e o sentimento do consumidor da Universidade de Michigan na sexta. Por aqui, o IPC-Fipe apontou inflação de 0,23% na 2ª quadrissemana de abril enquanto o IPC-S desacelerou, passando de 0,90% para 0,60%. O boletim Focus mostrou crescimento nas projeções de IPCA (de 5,29% para 5,32%), Selic (de 11,25% para 11,50%) e PIB (de 5,60% para 5,81%) para o final de 2010. Ainda hoje, no final da tarde, são esperados os dados da 1ª quinzena de abril a serem divulgados pela Fenabrave.
Curtas
» MRV: números operacionais sólidos
A MRV (MRVE3) divulgou números operacionais sólidos para o 1º trimestre de 2010, mas que marcaram o 4º trimestre consecutivo de queda sequencial. Segundo o analista David Lawant, apesar da concentração de lançamentos no final do trimestre (devido à fraca sazonalidade) ter pesado nos resultados, as vendas de estoques permaneceram elevadas, totalizando 41%. No entanto, mesmo reconhecendo a MRV como uma das melhores empresas sob sua cobertura, o analista mantém a recomendação market perform (desempenho em linha com a média do mercado), à espera de um melhor ponto de entrada. Em relação aos números, os lançamentos vieram em R$ 606 milhões, após terem atingido R$ 1,1 bilhão no 4º trimestre de 2009. As vendas contratadas, por sua vez, ficaram em R$ 733 milhões, no 4º trimestre consecutivo de declínio. O analista, entretanto, acredita em melhores números a partir do 2º tri deste ano.
» Rossi: velocidade de vendas tem 5º trimestre seguido de melhora
Os resultados pré-operacionais da Rossi (RSID3) foram positivos no 1º trimestre de 2010 e marcaram o 5º trimestre consecutivo de melhora na velocidade de vendas. O analista David Lawant espera uma relação positiva do mercado aos números e reforça a recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado). O analista também não acredita que o fraco desempenho das ações no ano (-19%, ante +1% do Ibovespa e -12% do índice do setor imobiliário) seja justificado, considerando a tendência de melhor desempenho operacional nos últimos anos e o sólido balanço da companhia. A Rossi lançou R$ 571 milhões no 1º trimestre, enquanto as vendas contratadas vieram em R$ 666 milhões, 7% acima do trimestre anterior. A velocidade de vendas ficou em 25%, levemente acima do 4º trimestre de 2009. O segmento econômico registrou vendas de R$ 368 milhões, representando 55% do total das vendas contratadas da Rossi e atingindo velocidade de vendas de 37,4%.
» Belo Monte: consórcio leilão amanhã com dois consórcios
A Aneel confirmou para amanhã (dia 20) a realização do leilão da hidrelétrica de Belo Monte. Dois consórcios devem participar: um formado por Andrade Gutierrez, Neoenergia e Vale e um segundo composto por oito empresas lideradas pela Bertin junto com as construtoras Queiroz Galvão, Mendes Júnior e Serveng. A Eletrobrás (ELET3), por sua vez, informou que a Eletronorte entrará como sócia estratégica no consórcio vencedor. O analista Marcos Severine acredita que o deságio será pequeno e que o preço deva ficar próximo ao teto de R$ 83/MWh, além de reforçar a recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado) para as ações da Eletrobras.
» Governo vai endurecer regras contra emissores de cartões de crédito
Segundo matéria do jornal Valor Econômico, o governo pretende endurecer as regras contra os emissores de cartão de crédito a fim de coibir abusos e proteger os consumidores. De acordo com o Ministério da Justiça, os cartões de crédito correspondem a 36,5% de todas as queixas que são registradas nos Procons envolvendo assuntos financeiros. O analista Alexandre Spada acredita que enquanto não houver nada concreto, ainda será cedo para entender quais serão os efeitos sobre as empresas do setor de serviços financeiros, mas vai acompanhar de perto os desdobramentos a respeito desta questão. Se o governo optar por regular as tarifas cobradas dos usuários de cartões de crédito – como tarifas de saque e de programas de benefícios – o analista acredita que os bancos podem sofrer um impacto ligeiramente negativo, assim como ocorreu quando as tarifas bancárias foram reguladas.
Carlos Constantini
* este relatório foi elaborado pela equipe de Pesquisa de Renda Variável da Itaú Corretora.




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