quinta-feira, 15 de abril de 2010

Boletim Investshop 15/04

Boletim diário Investshop de 15/04/2010

Indicadores da China vem fortes, mas Grécia inibe desempenho

Aguardados durante toda a semana, os dados divulgados na noite de ontem pelo governo chinês comprovaram a força da economia do país asiático e tinham tudo para serem bem recebidos pelos mercados na manhã desta quinta-feira. No entanto, novas preocupações levantadas pela Grécia inibem o desempenho das principais bolsas na Europa, que operam perto da estabilidade, alternando-se entre os terrenos negativo e positivo.

De acordo com os dados divulgados na China, o PIB do país registrou no 1º trimestre deste ano seu maior crescimento em cerca de três anos, ao ficar em 11,9%, acima do esperado. A produção industrial cresceu 18,1% em março, enquanto as vendas no varejo registraram elevação de 18% no mesmo mês (ambos em relação ao mesmo período do ano passado). Por outro lado, os números de inflação vieram abaixo da previsão, com o CPI (índice de preços ao consumidor) em 2,4% e o PPI (índice de preços ao produtor) em 5,9%. Apesar dos números favoráveis, a bolsa chinesa terminou o dia em ligeiro recuo de 0,04%. No Japão, a bolsa de Tóquio subiu 0,6%. Na agenda norte-americana, o indicador de atividade Empire State (referente à região de Nova York) subiu para 31,86 em abril, bastante acima do esperado. Já os pedidos de seguro-desemprego cresceram em 24 mil na semana passada, enquanto a projeção era de queda de 15 mil solicitações. Às 10h15 será divulgada a produção industrial referente a março e, às 11h, o indicador de atividade industrial do Fed da Filadélfia. Por fim, às 14h sai o índice NAHB de sentimento do setor de construção. Por aqui, o destaque deve ficar por conta dos dados do Caged (o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados do Ministério do Trabalho), previsto para serem divulgados às 11h. Nesta manhã, a FGV anunciou que a inflação medida pelo IGP-10 desacelerou em abril e ficou em 0,63%, após avançar 1,10% em março. O resultado ficou em linha com as expectativas.

Curtas

» São Martinho: acordo com empresa
A São Martinho (SMTO3) divulgou em fato relevante a assinatura de um acordo definitivo com a empresa norte-americana Amyris Biotechnologies e sua subsidiária brasileira Amyris Brasil. O acordo anunciado ontem sofreu algumas modificações em relação ao anterior, anunciado no final de 2009. Entre elas, a empresa divulgou que não haverá alienação de parte do capital da Usina Boa Vista ao Grupo Amyris, de forma que a Boa Vista continuará sendo integralmente controlada pela São Martinho. Além disso, os dois grupos vão formar uma joint venture (50% para cada grupo) para investir na construção de uma planta química no interior de São Paulo, na usina São Martinho. Na opinião da analista Giovana Araújo, as alterações devem ter impacto neutro em termos de valuation para a São Martinho, mas as mudanças anunciadas foram um pouco frustrantes, dado que a empresa não conseguiu materializar um valuation atraente para a usina Boa Vista no pico do preço do açúcar e que deve levar algum tempo para que essa planta química agregue valor. A analista acredita que o mercado pode reagir negativamente ao anúncio, mas reforça a recomendação de outperform (desempenho acima da média do mercado) para as ações SMTO3.

» Equatorial: proposta para vender participação na Light
A Equatorial (EQTL3) comunicou ontem, em fato relevante, a intenção de submeter aos acionistas (em assembleia a ser realizada em 29 de abril) uma proposta para uma cisão parcial da empresa, resultando na venda de sua participação indireta na Light (de 13,03%). Seria criada uma nova companhia especificamente para a transferência dessa participação na Light. A notícia não é novidade e já foi reportada desde dezembro do ano passado pela companhia. O analista Marcos Severine lembra, no entanto, que a Equatorial surpreendeu o mercado ao anunciar, junto com os resultados do 4º trimestre de 2009, uma redução no payout de dividendos para 25% do lucro líquido (ante o payout anterior de 85% a 100%). Com isso, a empresa perdeu grande parte de sua atratividade, que era justamente o pagamento de dividendos. De acordo com cálculos do analista, seguindo esse novo payout, o dividend yield estimado para 2010 seria de 5,6% (e de 5,9% para 2011), bem abaixo do que a empresa costumava pagar. Dessa forma, o analista se mantém cético em relação às ações EQTL3 e reitera a recomendação de underperform (desempenho abaixo da média do mercado).

» Ministério Público suspende leilão de Belo Monte
O Ministério Público do Pará anunciou na noite de ontem a suspensão da licença prévia e do leilão da usina hidrelétrica de Belo Monte, alegando que sua construção violaria leis ambientais. Além disso, a Aneel também foi proibida de seguir adiante com qualquer movimentação referente a Belo Monte. A AGU (Advocacia Geral da União), no entanto, já divulgou que vai recorrer do anúncio, o que, na opinião do analista Marcos Severine, indica que o governo usará todos seus esforços para que o leilão ocorra no dia 20 de abril.

» Redução do limite para TED: boa notícia para Cetip
Segundo matéria publicada na edição de hoje do jornal Folha de S.Paulo, a Febraban decidiu reduzir o limite mínimo para as TEDs de R$ 5 mil para R$ 3 mil. A medida começa a valer em 21 de maio. De acordo com o analista Alexandre Spada, a notícia é positiva para a Cetip (CTIP3), já que a empresa faz o processamento desse tipo de transação. Dessa forma, com a redução do valor mínimo para a realização da TED, o volume de transações deve aumentar. Em 2009, o processamento de TED foi responsável por cerca de 10% das receitas totais da Cetip. Segundo cálculos preliminares feitos pelo analista, o aumento nas transações processadas pode gerar um crescimento de até 25% nas receitas com esta linha de negócios, o que acabaria resultando em até 2% a mais de receita para a empresa em 2010. O analista ainda vai falar com a empresa, mas lembra que essa notícia era esperada apenas para 2011.

» Petrobras: roadshow com investidores no Brasil
A analista Paula Kovarsky realizou roadshow de Petrobras (PETR4) pelo Brasil e a percepção é de que os investidores concordam com a visão de que o risco da capitalização deve diminuir ao longo do tempo, com a divulgação de mais informações a respeito e a redução nas incertezas, e com o valor de US$ 5 por barril. No entanto, a analista lembra que até seja anunciada a aprovação da capitalização (tramitando em regime de urgência, a capitalização teria de ser votada até 8 de maio) esses ruídos de informação, com declarações do governo e da própria estatal, devem pesar sobre o desempenho das ações.

» Celulose: preço deve sofrer quinto reajuste no ano, diz jornal
De acordo com o jornal Valor Econômico, o preço de celulose deverá apresentar o quinto aumento do ano, conforme o analista Marcos Assumpção já havia antecipado em relatório setorial publicado em 24 de março. De acordo com as estimativas do analista, após quatro aumentos já realizados, deve haver novo reajuste em maio de US$ 50/tonelada seguido por mais dois aumentos até o 3º trimestre, quando então o preço deverá se estabilizar e voltar a recuar em 2011, seguindo o movimento cíclico do setor. A Fibria (FIBR3) já teria anunciado o aumento de maio, elevando o preço para US$ 890/tonelada na Europa. Na opinião do analista, tanto as ações de Fibria quanto de Suzano (SUZB5) já podem ter precificado em parte tal notícia, considerando o melhor desempenho alcançado nos últimos dias. Apesar do bom momento de curto prazo, o analista reitera a recomendação de market perform para FIBR3 devido ao atual patamar de valuation (acima de 8x EV/EBTIDA em 2010 e 2011), que parece pouco convidativo.

* ND: Não disponível
Carlos Constantini

* este relatório foi elaborado pela equipe de Pesquisa de Renda Variável da Itaú Corretora.

 


 

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