quarta-feira, 14 de abril de 2010

Boletim Investshop 14/04

Boletim diário Investshop de 14/04/2010

Confira os indicadores e eventos dessa quarta-feira

A forte agenda do dia deve ditar o desempenho dos mercados nesta quarta-feira. Nos EUA, a pauta começa às 9h30, com as vendas no varejo de março e a divulgação do CPI, o índice de preços ao consumidor. Os estoques das empresas em fevereiro (às 11h), os estoques semanais de petróleo e derivados (11h30), além do Livro Bege do Fed (15), completam os indicadores do dia.

Por aqui, as vendas no varejo também são destaque da agenda macroeconômica. Segundo o IBGE, houve crescimento de 1,6% em fevereiro, pelo segundo mês consecutivo - em janeiro, o desempenho do varejo havia subido 3%. Na comparação com o mesmo período de 2009, o comércio varejista brasileiro registrou aumento de
12,3% nas vendas.

Ainda no campo doméstico, vale lembrar que hoje é dia de vencimento do Ibovespa futuro. Nos EUA, a temporada de resultados trimestrais continua com o balanço do banco JP Morgan nesta manhã. Na Ásia a manhã foi positiva, com as principais bolsas encerrando o dia em alta. A bolsa de Tóquio registrou valorização de 0,39%, enquanto Hong Kong subiu 0,08% e Xangai, 0,16%. Ao final desta quarta-feira, serão divulgados importantes indicadores da economia chinesa, como PIB, produção industrial e índices de inflação, que também devem atrair a atenção dos mercados.

Curtas

Agre: números operacionais fortes no 1º trimestre
A Agre (AGEI3) divulgou seus números pré-operacionais do 1º trimestre de 2010. Na opinião do analista David Lawant, os resultados foram bons, especialmente devido às fortes vendas de estoques, apesar dos lançamentos terem sido fracos, e devem gerar uma reação positiva no mercado. De acordo com os dados divulgados, os lançamentos vieram em R$ 206 milhões, 57% abaixo do trimestre anterior, mas a empresa já havia dado essa indicação. Mesmo com os lançamentos parecendo fracos, representando apenas 8% do guidance (indicação de desempenho) da empresa, o analista lembra que o 1º trimestre do ano é sazonalmente fraco. Já as vendas contratadas ficaram acima do esperado, em R$ 513 milhões, na esteira das sólidas vendas de estoques. O analista reitera a recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado) para as ações AGEI3, que são as mais baratas em seu universo de cobertura.

» Cartões: discussão sobre diferenciação de preços
Segundo informações divulgadas na imprensa, a SDE (Secretaria de Direitos Econômicos), ligada ao Ministério da Justiça, pretende retomar as discussões sobre diferenciação de preços dependendo do meio de pagamento utilizado pelo cliente (como cobrar mais em compras feitas com cartão ou oferecer descontos em compras pagas à vista, em dinheiro). O entendimento da SDE é de que os comerciantes teriam mais poder de barganha para negociar com as adquirentes (empresas de meios de pagamento) condições melhores que poderiam resultar em redução de preços. Apesar do apoio à diferenciação de preços em algumas instâncias do Congresso e do Banco Central, o STJ proibiu recentemente a diferenciação de preços em um processo envolvendo uma rede de combustível. Na visão do analista Alexandre Spada, essa discussão deve ser neutra para as empresas de meios de pagamento, considerando que após a decisão do STJ, parece ser improvável que a diferenciação de preços seja autorizada no país. No entanto, caso a prática seja aprovada, a medida poderia trazer efeitos adversos para as adquirentes, uma vez que os consumidores podem preferir usar dinheiro em vez de cartão de crédito para efetuar certos pagamentos.

» Eletrobrás é top pick no setor elétrico
Em seu relatório semanal "Straight Talk", o analista Marcos Severine destaca que o setor elétrico continua sem catalisadores de curto prazo que possam sustentar uma valorização sustentável das ações. As notícias referentes a potenciais fusões e aquisições, troca de ativos ou bons resultados do 1º trimestre de 2010 parecem não ser suficientes para atrair a atenção dos investidores ou impulsionar as ações no curto prazo; dessa forma, o analista reforça a recomendação de underweight (alocação abaixo do peso do mercado) para o setor. No momento, o analista destaca apenas três ações em seu universo de cobertura que parecem atraentes: Eletrobrás (ELET3), AES Tietê (GETI4) e Cemig (CMIG4). Essas empresas, de acordo com Severine, oferecem uma combinação única de fortes catalisadores de curto prazo, múltiplos atraentes, bons resultados e perfil de risco/retorno. Considerando todos esses pontos, o analista destaca as ações ELET3 como a preferência no setor.

» Analista comenta leilão de Belo Monte
Considerando a proximidade do leilão da hidrelétrica de Belo Monte, programado para acontecer em 20 de abril, o analista Marcos Severine divulgou relatório em que comenta vários parâmetros relacionados a esse evento, como preço, investimento, alavancagem, custo da dívida e período de amortização, além dos impactos em sua taxa interna de retorno. Com 4.571 MW de energia assegurada, Belo Monte poderia gerar um EBITDA de R$ 3,6 bilhões em 2017. Dentre as ações de seu universo de cobertura, o analista destaca Eletrobrás (ELET3), CPFL (CPFE3) e Cemig (CMIG4) como sendo, inicialmente, os competidores mais prováveis a se envolverem no leilão, mas dado o baixo preço teto fixado de apenas R$ 83/MWh, CPFL e Cemig parecem menos interessadas. A Eletrobrás terá uma participação entre 40% e 49% no projeto, independentemente do consórcio de que fizer parte. Analisando seu modelo de fluxo de caixa descontado, o analista chega a uma taxa interna de retorno entre 6,4% e 12% para o projeto - considerando que o retorno do projeto é fortemente dependente de condições de captação, como alavancagem da dívida e período de amortização. Em relação aos riscos, o analista destaca que, no pior cenário, a Eletrobrás teria que colocar R$ 2,5 bilhões no projeto, ou apenas R$ 2,2/ação, reduzindo o potencial de valorização estimado para a empresa de 102% para 94% - o que o analista considera altamente improvável. Em termos de EBITDA, Belo Monte poderia adicionar R$ 1,8 bilhão para a Eletrobrás em 2017, um valor significativo ao se considerar que a empresa fechou 2009 com um EBITDA de R$ 7 bilhões.

» Açúcar: preços internacionais em recuperação
A analista Giovana Araújo chama atenção para a recuperação nos preços internacionais do açúcar, considerando a elevação na demanda, e também nos preços domésticos do etanol. Os preços atuais estão em linha com suas projeções e a analista reforça a preferência por Cosan Limited (CZLT11) e São Martinho (SMTO3) na esteira das perspectivas positivas para o setor.

» Petrobras divulga comunicado sobre a capitalização
A Petrobras (PETR4) divulgou ontem em comunicado que trabalha com a expectativa de que a aprovação da capitalização da empresa saia até o final de julho e que não considera a hipótese da capitalização ocorrer apenas nas ações preferenciais. Segundo a analista Paula Kovarsky, até que isso de fato seja aprovado, o fluxo de notícias em torno da companhia deve continuar pesando sobre as ações

» Aço pode ter novo reajuste, diz presidente do Inda
O analista Marcos Assumpção participou de almoço com Carlos Loureiro, presidente do Inda (Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço). Para Loureiro, corroborando a visão do analista, a troca de comando na Usiminas deve ser positiva, considerando o histórico do novo CEO, que pode inclusive trazer benefícios na área comercial para a empresa. Em relação aos preços do aço, Loureiro acredita que há espaço para um novo reajuste em junho, entre 6% e 8%, e menor chance de que o governo retire a tarifa de importação. O analista já considera em seu modelo um aumento adicional no preço e reforça a recomendação.

* ND: Não disponível
Carlos Constantini

* este relatório foi elaborado pela equipe de Pesquisa de Renda Variável da Itaú Corretora.

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