Boletim diário Investshop 27/04
Terça-feira começa em tom de cautela em todos os mercados
A cautela dá o tom ao desempenho dos mercados nesta manhã. Na Europa, as principais bolsas operam em queda de mais de 1%, enquanto os futuros americanos apontam para uma abertura no terreno negativo. Na Ásia a terça-feira também foi de mau humor, com Hong Kong em baixa de 1,5% e Xangai perdendo 2,1% - caindo para seu menor nível em sete meses. A exceção ficou com a bolsa de Tóquio, que conseguiu se manter no azul em leve alta de 0,4%.
As razões por trás do fraco desempenho dos mercados são velhas conhecidas: a situação financeira da Grécia, as acusações sobre o Goldman Sachs e a expectativa pela decisão de juros nos EUA, que será anunciada amanhã pelo Fomc (comitê monetário). Hoje o presidente do BC norte-americano, Ben Bernanke, discursa a partir das 11h enquanto na Europa o presidente do BCE (Banco Central Europeu), Jean-Claude Trichet, faz dois discursos.
A agenda do dia nos EUA conta, às 10h, com os dados de índice de preços de residências em fevereiro. Às 11h serão divulgados a confiança do consumidor da Conference Board e os indicadores de atividade industrial das unidades regionais do Fed de Richmond e de Chicago. Entre as empresas que divulgam resultados, destaque para a 3M. No mercado doméstico, o índice de confiança do consumidor cresceu 3,5% em março ante abril, na série com ajuste sazonal.
Curtas
» Indústrias: revisão do setor
A analista Renata Faber atualizou suas projeções para as empresas do setor de indústrias, incorporando os resultados das companhias no 4º trimestre de 2009. Ela reitera a recomendação outperform (desempenho acima do mercado) para Iochpe (MYPK3), Marcopolo (POMO4) e Romi (ROMI3), com preços justos de R$ 40, R$ 10 e R$ 16, respectivamente. As recomendações para Randon (RAPT4) e WEG (WEGE3) foram mantidas em market perform (desempenho em linha com o mercado). Na avaliação da analista, após apresentarem resultados decepcionantes em 2009, as empresas do setor devem mostrar uma forte recuperação neste ano, impulsionadas por uma produção industrial forte no Brasil (+11% A/A em 2010) e condições especiais de financiamento do BNDES. Iochpe é a preferência da analista no setor, dado o forte potencial de valorização em relação ao preço justo (27%) e os múltiplos atraentes com que a ação vem sendo negociada. Além disso, os resultados da companhia devem se beneficiar da forte produção de caminhões e, na sua visão, a divulgação dos números da Anfavea devem ser um catalisador para os papeis da companhia. Marcopolo também está entre as favoritas da analista, para quem a empresa está passando por um momento único de forte crescimento do mercado e baixa competição. Na sua opinião, o forte crescimento da empresa e a expansão de margens em 2010 devem se traduzir em múltiplos baixos.
» Temporada de resultados: destaque para empresas voltadas ao mercado interno
As empresas voltadas para o mercado doméstico devem ser o destaque da temporada de resultados do 1º trimestre de 2010, a despeito do cenário de recuperação para as exportadoras. Esperamos números fortes para a maioria das companhias expostas ao mercado interno. No Brasil, a combinação de maior nível de consumo e de confiança do consumidor, um mercado de trabalho mais forte e maior disponibilidade de crédito deve se traduzir em bons, porém já esperados, resultados, que parecem já estar precificados. Os setores de varejo, saúde, indústrias, transportes e logísticas e construção civil devem apresentar os resultados mais sólidos, mostrando significativo crescimento de receita e melhora nas margens. Entre as empresas ligadas a commodities, os segmentos de agronegócio e papel e celulose também devem ser destaques, devido à recuperação de preços. Apesar de ainda não terem capturado o impacto total dos aumentos de preços do minério de ferro, as companhias de mineração e siderurgia devem mostrar melhora. Já os resultados da Petrobras não devem ser um catalisador para as ações.
» Revisão de resultados: tecnologia da informação tem maior aumento nas projeções de EBITDA
O setor de tecnologia da informação mostrou o maior aumento médio de EBITDA (3,7%) na atividade de revisão de resultados em abril, seguido por recursos naturais (2,3%). As maiores quedas nas projeções de EBITDA ficaram com o setor de indústrias (-1,3%). Devido a seu fraco desempenho de preços, o setor de telecom mostrou significativa contração de múltiplos ao longo do mês passado. Por outro lado, as companhias do segmento de indústrias apresentaram expansão de múltiplos na esteira da redução de 4,4% nas projeções de LPA (lucro por ação). Entre as empresas do IBX-100, 46% tiveram aumento nas projeções de EBITDA, enquanto 40% tiveram redução. O setor de recursos naturais se destacou com 11 elevações de EBITDA, enquanto as empresas elétricas tiveram nove revisões para baixo.
» Copel: revisão de desconto de tarifa pode impactar positivamente ações
O governador do Paraná anunciou ontem o nome de Ronald Ravedutti (ex-CFO da empresa) como novo presidente da Copel (CPLE6). Na opinião do analista Marcos Severine, essa mudança era natural e esperada. No entanto, junto com esse anúncio, também foi divulgado que o governo estadual pode revisar – ou até mesmo cancelar - a política de desconto da tarifa de energia elétrica. De acordo com o analista, o cancelamento ou redução nesse desconto poderia ter impacto positivo sobre as ações.
» Consumo de energia cresce 9,3% em março no país
A EPE (Empresa de Pesquisa Energética) divulgou ontem os números de consumo de energia no país no mês de março. O consumo cresceu 9,3% na comparação anual, com destaque para o aumento apresentado pelo consumo industrial, de 12% - puxado, principalmente, pela retomada da atividade econômica. O consumo residencial e comercial também apresentou crescimento significativo, de cerca de 8%. Para o analista Marcos Severine, esses números reforçam preços de longo prazo em alta, o que beneficia empresas como AES Tietê (GETI4), Tractebel (TBLE3) e Cemig (CMIG4).
* ND: Não disponível
Carlos Constantini
* este relatório foi elaborado pela equipe de Pesquisa de Renda Variável da Itaú Corretora.




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