Boletim diário Investshop 03/05/10
Renda e consumo pessoal nos EUA em março ficam em linha
O mercado já repercute os dados econômicos divulgados há pouco nos Estados Unidos, que vieram em linha com as expectativas. A renda pessoal subiu 0,3% em março, na comparação com o mês anterior, enquanto os gastos pessoais aumentaram 0,6%.
Ainda nos EUA, saem, às 11h, os gastos com construção em março e as vendas das montadoras em abril. Na Ásia, as bolsas de Tóquio e de Xangai permaneceram fechadas devido a um feriado.
Por aqui, o dia começou com a divulgação do IPC-S de abril, que registrou inflação de 0,76%, ante 0,86% em março. Já o Boletim Focus, do Banco Central, mostrou que o mercado manteve em 4,8% a projeção para o IPCA em 2011 e elevou para 5,42% a estimativa para este ano. Para a Selic, a projeção subiu de 10,25% na semana passada para 10,34%.
Curtas
»Alterações na carteira recomendada
Realizamos os seguintes ajustes em nossa carteira recomendada: Realizamos lucros no BIC Banco (BICB4, alta de 15,5% desde a inclusão em nossa carteira). Ainda que o cenário para a companhia continue bom, com uma robusta expansão do crédito no segmento das pequenas e médias empresas, decidimos realizar lucros nesta empresa, uma vez que os valuations agora se mostram menos atrativos. Realizamos lucros na CSN (CSNA3, alta de 3,7% desde a inclusão em nossa carteira). A ação continua a ser classificada como outperform (desempenho acima da média do mercado) pelo nosso analista de Recursos Naturais, Marcos Assumpção. No entanto, receamos que a maior parte das notícias do curto prazo já foram precificadas na ação. No longo prazo, as usinas siderúrgicas brasileiras devem apresentar margens mais elevadas sustentáveis, porém não acreditamos que os mercados venham a precificar este fato ainda. Adicionamos Cyrela (CYRE3): Acreditamos que o início do ciclo de aumento das taxas de juros já está sendo refletido no recente desempenho abaixo da média do mercado (underperformance) desta ação. O risco de execução e o IFRS continuam a representar questões significativas, porém é improvável que venham a pesar sobre a ação no próximo trimestre. Nesse ínterim, revisões do PIB e um fortalecimento geral nos mercados imobiliários, ajudado por atrativos valuations, provavelmente puxarão a ação para cima. Adicionamos CEMIG (CMIG4): A companhia está se beneficiando de uma retomada na atividade industrial no estado de Minas Gerais. Além disso, uma mudança no governo desse estado já parece estar precificada na ação, e um melhor desempenho por parte do candidato do partido beneficiado por esta modificação pode possivelmente puxar a ação para cima. Finalmente, a consolidação dos resultados da Light na companhia puxará os múltiplos para baixo.
» Top 5 para Maio
Cyrela – CYRE3 - Em linha com a mais recente inclusão em nossa Carteira Recomendada, retornamos ao setor de Construção Civil pro meio das ações de Cyrela. Acreditamos que a manutenção da forte demanda para o setor imobiliário, combinada com uma potencial revisão positiva do PIB este ano e uma diversificação em termos de segmentos de atuação, mitiga eventuais riscos do setor no médio prazo. Além disso, a forte queda das ações registradas no ano (-14,5%) e o patamar de valuation bastante atraente resultam em uma oportunidade de compra. Cosan – CSAN3 - Observamos um interesse cada vez mais crescente por parte de diversos investidores, não apenas locais, mas principalmente estrangeiros, no case de investimento da empresa, principalmente após a realização da JV com a Shell. Em nossa opinião, esta parceria trará um fluxo positivo de notícias, uma vez que deve permitir economias de escala e uma redução nas despesas gerais e administrativas (G&A, na sigla em inglês) de cerca de R$ 1,5 bilhão, além de melhora de governança corporativa. Além disso, esperamos que a empresa apresente resultados operacionais robustos, com uma receita e EBTIDA recordes. O preço justo para as ações da empresa é de R$ 33,00, o que equivale a um potencial de valorização de 48%. Marfrig – MRFG3 - Acreditamos que a recente queda nas ações da empresa já precifica um EBTIDA mais fraco este ano e também o risco de execução inerente à estratégia de redirecionar parcialmente as operações da Seara para o mercado doméstico. Apesar disso, continuamos otimistas em relação ao êxito da companhia. Nossas estimativas atuais já contam com premissas mais conservadoras, mas ainda assim nosso preço justo de R$ 26,00 para ações da empresa implicam um potencial de valorização de 42% para este ano. A ação também figura entre as preferidas por parte de nossa analista do setor de consumo. Dasa – DASA3 - Mantemos nossa preferência pelas ações de Dasa em relação às demais empresas do setor de Healthcare e reiteramos nossa recomendação de outperform para as ações da empresa. Acreditamos que a expectativa de uma maior lucratividade derivada da reestruturação operacional da companhia combinada com um valuation atraente (desconto de 12% em relação aos seus pares internacionais) e possíveis aquisições ainda neste ano não está precificada no atual patamar de preço das ações, o que se traduz em uma interessante oportunidade de compra. Vale – VALE5 - Após a forte performance das ações desde o inicio do ano, quando chegou a atingir 22% de rentabilidade (a R$ 51,20), as ações de Vale apresentaram significativa realização nas ultimas semanas (-8,8% deste o pico em abril). No entanto, os fundamentos para a empresa permanecem sólidos. Após implementar um reajuste em torno de 100% para a maioria dos seus clientes no segundo trimestre, não descartamos que novos aumentos ocorram ainda este ano diante do elevado patamar de preço de minério de ferro no mercado à vista, a apertada relação demanda e oferta no setor e a pequena oferta adicional em termos globais. Além disso, vale lembrar que os contratos da empresa deverão ser revistos trimestralmente, o que permite reavaliar preços de acordo com a atual situação da commodity. Vale permanece como a preferência no segmento de Recursos Naturais, com preço justo de R$ 62,00 para 2010 e potencial de valorização de 33%.
» Vale adquire participação em empresa africana
A Vale (VALE5) anunciou na sexta-feira a aquisição de uma participação de 51% na BSG Resources, uma companhia privada que detém direitos de concessão de minério de ferro na Guinea, na África. Apesar de não ser uma aquisição muito grande (desembolso de caixa de apenas US$ 500 milhões + US$ 2 bilhões em pagamentos futuros dependendo do tamanho e da qualidade da reserva). Para o analista da Itaú Corretora Marcos Assumpção, a transação é positiva estrategicamente porque i) ajuda a Vale a manter controle de ativos de minério de ferro de baixa qualidade e baixo custo; ii) mostra que a Vale continua positiva para as perspectivas de longo prazo do minério de ferro; e iii) traz flexibilidade, na medida em que adiciona mais um local de produção, além de Carajás e do Sistema Sul. O analista mantém a recomendação outperform para as ações da companhia, com preço justo de R$ 62.
» Petrobras: capitalização será feita por oferta pública
A Petrobras (PETR4) divulgou na sexta-feira um fato relevante em que afirma que a capitalização da companhia será feita por meio de uma oferta pública com prioridade de alocação para os acionistas existentes e que o valuation dos barris deve ser feita por meio do relatório da consultoria D&M (DeGolyer & MacNaughton). Será feita uma outra revisão quando o relatório da ANP (Agência Nacional do Petróleo). Caso o projeto da capitalização não seja aprovado em tempo pelo Congresso, a Petrobras pode seguir adiante com uma oferta pública normal, sem incluir os barris. Para a analista da Itaú Corretora Paula Kovarsky, o fato de a companhia ter escolhido a via da oferta pública é bastante positivo, porque potencialmente reduz o risco de overhang (excesso de ações no mercado). Além disso, a decisão de seguir adiante sem o relatório da ANP também não é uma surpresa. De maneira geral, a analista considera a notícia bastante positiva e acredita que as ações devam reagir positivamente. Ela mantém a recomendação outperform (desempenho acima do mercado) para PETR4 , com preço justo de R$ 53,7.
» Tereos e Petrobras formam parceria em Açúcar Guarani
A Tereos Internacional (grupo francês controlador da Açúcar Guarani) e a Petrobras anunciaram na sexta-feira passada uma parceria estratégica para investir na Açúcar Guarani, com o intuito de acelerar o crescimento de etanol, açúcar e bioenergia no Brasil. Para as analistas Paula Kovarsky e Giovana Araujo, a parceria é um movimento importante para a Tereos, abrindo perspectivas de crescimento e potencialmente abrindo espaço para consolidação, assumindo que a Açúcar Guarani passe a ser o veículo de crescimento no mercado de etanol. A Petrobras irá injetar R$ 1,6 bilhão em cinco anos, mas pode considerar investimentos adicionais. A Tereos poderá colocar mais R$ 600 milhões. Para as analistas, a notícia é positiva e, embora as ações da Açúcar Guarani (ACGU3) já tenham subido mais de 14% na sexta-feira, elas ainda vêem espaço para mais alguma valorização. Por enquanto, elas mantêm a recomendação market perform (desempenho em linha com o mercado), com preço justo de R$ 6,8 para o final de 2010.
» Localiza: revisão de projeções
A analista da Itaú Corretora Renata Faber atualizou suas projeções para Localiza (RENT3), incorporando os resultados do 1º trimestre, mantendo a recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado). O novo preço justo é de R$ 24, o que implica um potencial de apreciação de 24,7%. Na visão da analista, 2009 é um ano para ser esquecido. Para 2010 ela espera que a companhia mostre que crescimento e margens podem voltar aos níveis históricos. Na sua visão, a tendência de alta na taxa de juros (que prejudica os resultados financeiros) não deve anular os fortes números operacionais, e os resultados robustos devem ajudar a performance de RENT3.
Carlos Constantini
* este relatório foi elaborado pela equipe de Pesquisa de Renda Variável da Itaú Corretora.




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