sexta-feira, 14 de maio de 2010

Boletim Investshop 14/05

Boletim diário Investshop 14/05/10

Alta do IGP-10 surpreende e é destaque na agenda doméstica

No campo doméstico, chama a atenção hoje a alta do IGP-10, que registrou inflação de 1,11% em maio, acima da taxa observada em abril (0,63%) e da mediana das expectativas do mercado (0,80%). É também a maior taxa nesse tipo de indicador desde julho de 2008. Os economistas do Itaú Unibanco destacam que o reajuste do minério de ferro teve um grande peso nessa alta.

No campo internacional, o dia inicia com tom levemente negativo, ainda com os problemas na Europa afetando o humor dos investidores. Nos Estados Unidos, a agenda começa às 9h30, com os números de vendas no varejo em abril. Às 10h15 saem os dados de produção industrial em abril e de utilização de capacidade instalada. Às 10h55, será divulgado o índice de sentimento do consumidor da Universidade de Michigan, com os números preliminares de maio. Por fim, às 11h saem os dados sobre estoques das empresas em março.

Ainda no mercado interno, chamamos a atenção para os resultados da Petrobras no 1º trimestre de 2010, programados para serem divulgados após o fechamento do mercado.

Curtas

» Eletropaulo: há opções melhores
Os resultados de Eletropaulo (ELPL6) no 1º trimestre vieram em linha com as estimativas do analista Marcos Severine, mas abaixo do consenso do mercado quando se olha para o EBITDA (geração operacional de caixa). Por isso, ele acredita que as ações da empresa devam reagir negativamente na sessão de hoje. O analista reforça a recomendação market perform (desempenho em linha com a média de mercado) e o preço justo de R$ 43, o que representa um potencial de apreciação de 32%. Apesar do upside atraente, ele se mantém cético quanto à atratividade das ações da empresa neste ano. Na sua opinião, há opções melhores no setor em termos de dividend yield (GETI4), crescimento (CMIG4), resultados (ENBR3, CMIG4 e ELET3) e exposição à inflação (GETI4, ENBR3 e CMIG4). Além disso, os resultados do 1º trimestre trouxeram novos desenvolvimentos em relação à suposta dívida de R$ 1 bilhão da Eletropaulo com a Eletrobrás, o que pode pesar sobre a ação hoje. O fluxo de notícias em relação a essa questão pode se intensificar nos próximos meses, adverte o analista. Por isso, ele recomenda aos investidores que troquem Eletropaulo (ELPL6) por AES Tietê (GETI4).

» OGX conclui perfuração e anuncia estimativas de volume
A OGX (OGXP3) anunciou ontem que concluiu a perfuração dos poços Etna e Fuji. A companhia confirmou que o poço Pipeline e o Etna são mesmo parte da mesma reserva, enquanto Waimea e Fuji são potencialmente parte de outra grande estrutura. A analista Paula Kovarsky destaca que o mais importante é que a companhia divulgou estimativas de volume: o complexo Pipeline-Etna está estimado em 1,4-2,6 bilhões de barris de óleo equivalente, enquanto o complexo Waimea-Fuji tem entre 0,6-1,1 bilhão de boe. Isso adiciona 587 milhões de barris às reservas prospectivas da OGX. Também significa uma alta de R$ 2,3 ao preço justo da analista, que passa a ser de R$ 27,9, com recomendação outperform (desempenho acima da média de mercado). A analista acredita que devem ocorrer novos anúncios de volumes.

» Rossi: resultados mostram melhora sequencial
Os resultados da Rossi (RSID3) no 1º trimestre mostraram mais uma vez melhora em quase todas as métricas, afirma o analista David Lawant. Os números operacionais já haviam sido anunciados, por isso não foram surpresa. Do lado contábil, a receita líquida veio em R$ 491 milhões, o que representa um crescimento de 3% na comparação trimestral, em linha com as estimativas do analista. O lucro líquido somou R$ 64 milhões. O analista mantém a recomendação outperform (desempenho acima da média de mercado), com preço justo de R$ 19,20 e destaca que esse momentum deve continuar nos próximos trimestres.

» Cyrela: números contábeis em linha com as estimativas
A Cyrela (CYRE3) divulgou seus resultados do 1º trimestre ontem à noite. Para o analista David Lawant, do lado operacional, os números foram relativamente fracos, com níveis de pré-vendas alinhados com os de outras companhias como Gafisa e PDG (sem incluir Agre), o analista destaca que as vendas de estoque continuam sólidos e ele espera que os resultados mostrem melhoras nos próximos trimestres, à medida que a companhia aumente os lançamentos. Pelo lado contábil, ele afirma que os números vieram, de forma geral, em linha com as suas estimativas. Os lançamentos ficaram em R$ 481 milhões (-77% em relação ao trimestre anterior) e as pré-vendas, em R$ 869 milhões (-51% na mesma base de comparação). A receita líquida foi de R$ 1,1 bilhão (-5% na comparação trimestral), com lucro líquido de R$ 174 milhões. O analista mantém a recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado) para as ações da companhia (CYRE3), com preço justo de R$ 31 para o final de 2010, com um atraente potencial de apreciação de 52%. Ele destaca que a ação caiu 15% neste ano acredita que a esperada melhora nos números operacionais no próximo trimestre seja um catalisador para o desempenho da ação.

» CCR: resultados do 1º tri devem ser bem recebidos pelo mercado
A CCR (CCRO3) divulgou bons resultados do 1º trimestre, que vieram em linha com as estimativas da analista Renata Faber. Vale a pena destacar que o tráfego foi fortemente impulsionado pela recuperação do cenário macroeconômico, especialmente no que se refere ao fluxo de veículos comerciais, que apresentou expansão de 16,2% em relação ao mesmo período do ano passado. O lucro líquido da empresa foi de R$ 135,5 milhões, 0,7% acima das estimativas, e a margem EBTIDA atingiu 64,5%, 2,7 p.p. acima do trimestre anterior. Em resumo, o resultado foi bom, e apesar do mercado já esperar tal crescimento, acreditamos que a melhora de margem EBTIDA (tanto nas comparações anual e trimestral) será bem recebida. A recomendação da ação é de market perform com preço justo de R$ 43 para 2010.

» Transmissão Paulista: lucro líquido surpreende e vem acima do esperado
A Transmissão Paulista (TRPL4) divulgou resultados referentes ao 1º trimestre de 2010. A receita líquida ficou ligeiramente abaixo das expectativas do analista Marcos Severine e do consenso de mercado, vindo em R$ 388 milhões. O EBTIDA, por sua vez, veio em linha com as estimativas do analista e superou os números do consenso: R$ 307 milhões. A surpresa ficou por conta do lucro líquido de R$ 200 milhões, acima do esperado devido a despesas financeiras e impostos menores. A empresa realizará uma conferência com os analistas e investidores dia 17 de maio para comentar os resultados. Embora exista uma expectativa de dividend yield de 10% para este ano, a recomendação permanece como underperform (desempenho abaixo da média do mercado), uma vez que o analista acredita que há melhores opções no setor.

» Dasa registra forte margem EBITDA no 1º tri
Na opinião da analista Juliana Rozenbaum, os resultados do 1º trimestre de 2010 da Dasa (DASA3) mostraram margem EBITDA de 26,1%, acima do esperado, apesar da receita líquida fraca. O reajuste de preços (+6,6% na comparação com o mesmo período do ano anterior) foi o principal fator que contribuiu para o desempenho da margem, influenciando o crescimento na margem bruta (para 41,7%). Além disso, considerando que a Dasa registrou margem EBITDA de 26,1% em um trimestre sazonalmente fraco, a analista espera que a empresa ultrapasse seu guidance (indicação de desempenho esperado) de 26% para o ano. A analista espera uma reação positiva do mercado aos resultados e reforça a recomendação de outperform (desempenho acima da média do mercado). As ações fazem parte de nossa carteira recomendada.

» Lojas Americanas: resultados consolidados fracos por conta da B2W
Os resultados de varejo da Lojas Americanas (LAME4) vieram sólidos no 1º trimestre de 2010, segundo a analista Juliana Rozenbaum, ligeiramente acima das estimativas por conta de vendas mais fortes, controle de despesas e melhora acima do esperado no segmento de financiamento ao consumidor. Apesar da dificuldade de comparação com o mesmo período do ano passado por conta da Páscoa (que neste ano aconteceu ainda no 1º tri, ao contrário do ocorrido em 2009) e do sistema de substituição tributária, os resultados ajustados ainda foram fortes, especialmente em relação ao lucro líquido de R$ 30 milhões, acima do esperado, devido aos melhores resultados operacionais. A analista chama a atenção, no entanto, para os resultados consolidados, que vieram fracos por conta do desempenho de B2W (BTOW3), e reforça a recomendação de market perform (desempenho em linha com a média do setor).

» B2W mostra resultados fracos no 1º trimestre
Os resultados do 1º trimestre de 2010 da B2W (BTOW3) vieram ruins, abaixo das expectativas da analista Juliana Rozenbaum, por conta da combinação de fraco crescimento da receita líquida e grande queda na margem bruta. O crescimento das vendas brutas ficou em apenas 18% na comparação anual, refletindo perdas de participação de mercado. Já a margem bruta mostrou contração de 1,7 p.p. na comparação com o 1º trimestre de 2009, enquanto a margem EBITDA veio em 7,9%, 0,6 p.p. abaixo na relação anual e 0,4 p.p. menor do que o projetado. Apesar de acreditar que a maior parte do fraco desempenho da empresa já tenha ficado para trás, a analista reconhece que os números do 1º trimestre não trouxeram notícias positivas e reforça a recomendação de market perform (desempenho em linha com a média do mercado), lembrando que a tese de investimentos da B2W ainda implica um alto grau de risco, pelo menos até que a empresa defina uma estratégia mais clara para enfrentar o aumento da competição no e-commerce brasileiro.

» Marfrig: resultados operacionais em linha
A Marfrig (MRFG3) divulgou resultados operacionais em linha no 1º trimestre de 2010, com uma margem EBITDA de 7,2% após o ajuste de itens não-recorrentes (como R$ 151,6 milhões relacionados a benefícios fiscais da Seara e R$ 22 milhões em outras receitas operacionais não-recorrentes). Pela primeira vez, a empresa detalhou a lucratividade das divisões de carne bovina e frango, o que confirmou a melhora sequencial na margem EBITDA para a carne bovina (de 9,4% no trimestre anterior para 10,1% agora), enquanto as margens recorrentes para o segmento de frango ficaram em 5%, 1 p.p. abaixo do 4º tri de 2009, devido à consolidação da Seara. Para a analista, de modo geral os resultados vieram em linha e não devem mudar as estimativas para a companhia, mas ela destaca a tendência de aumento na lucratividade em cada segmento. A recomendação para as ações é de outperform (desempenho acima da média do mercado).

» Renner: nova estratégia é abrir lojas em formatos mais compactos
A Renner (LREN3) promoveu ontem seu encontro anual com investidores. A analista Juliana Rozenbaum destaca a nova estratégia da empresa de abrir lojas em novo formato, mais compactas, além lojas especializadas, outras voltadas para consumidores de baixa renda e outras relacionadas a produtos de cama, mesa e banho. Para a analista, o formato compacto é especialmente viável, uma vez que não implica mudanças estruturais, mas abre uma nova opção de crescimento. Considerando o exposto no encontro, a analista aumentou suas estimativas para o crescimento médio anual de 2011 em diante (de 5% para 8% ao ano), além da projeção de abertura de 18-20 lojas/ano (ante 8-10/ano). Com isso, o novo preço alvo é agora de R$ 59,80 por ação, ante R$ 53,20 anteriormente. A analista reforça a recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado).

Carlos Constantini

* este relatório foi elaborado pela equipe de Pesquisa de Renda Variável da Itaú Corretora.

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