segunda-feira, 17 de maio de 2010

Boletim Investshop 17/05

Boletim diário Investshop 17/05/10

Europa deve ter plano para mercado de trabalho

Em semana de agenda relativamente fraca, o mercado aguarda o anúncio de mudanças do mercado de trabalho europeu, que devem servir de apoio ao pacote de estímulo fiscal para a região. Na Europa, as principais bolsas operavam com alta moderada agora pela manhã, assim como os futuros norte-americanos.

No campo doméstico, o Boletim Focus do Banco Central mostrou que os analistas consultados mantiveram a projeção para o IPCA neste ano em 5,42%. A projeção para a taxa Selic (11,75%) também não foi alterada em relação à semana passada. No campo da inflação, o IPC-S da segunda quadrissemana de maio registrou inflação de 0,64%, contra 0,78% na quadrissemana anterior. Vale ainda destacar que hoje tem vencimento de opções sobre ações na Bovespa.

Nos Estados Unidos, a pauta conta hoje com a divulgação Empire Manufacturing, um indicador de atividade da região de Nova York, com números de maio. O evento mais importante da semana está agendado para quarta-feira, com a divulgação da ata da última reunião do FOMC, o comitê do banco central norte-americano responsável pela definição da taxa de juros no país.

Curtas

» Aliansce: início de cobertura
O analista da Itaú Corretora David Lawant iniciou a cobertura de Aliansce (ALSC3), com recomendação outperform (desempenho acima de mercado), com preço justo de R$ 14,80, o que implica um potencial de apreciação de 56%, o maior entre as empresas de shopping sob cobertura do analista. Para o analista, a empresa deve apresentar um dos maiores crescimentos no setor de shoppings nos próximos anos, dado i) o seu portfólio shoppings em alguns dos mercados de maior crescimento no Brasil, que devem mostrar um forte efeito de maturação;  ii) um sólido pipeline de projetos greenfield e planos de expansão para os shoppings que possui atualmente; e iii) potencial para adquirir participações adicionais nos shoppings que já possui. O analista destaca ainda que a companhia é o veículo mais barato para os investidores ganharem exposição ao setor de shoppings, que é bastante defensivo e que apresenta rápido crescimento.

» Petrobras: foco na capitalização  
A Petrobras (PETR4) divulgou seus resultados do 1º trimestre na sexta-feira, após o fechamento do mercado. Os números vieram ligeiramente melhores do que as expectativas da analista Paula Kovarsky no lado operacional, e em linha com o consenso do mercado. Ela destaca que a companhia gastou R$ 17,8 bilhões em investimentos, o que, anualizado, daria R$ 71 bilhões. Ela lembra, no entanto, que, historicamente, os gastos com investimentos estão concentrados no 2º semestre, de maneira que ela vê espaço para que a empresa gaste os R$ 88,5 bilhões que foram anunciados. A sazonalidade, porém, pode ser fortemente afetada pelas eleições. Por isso ela acredita que a empresa deve acabar investindo menos do que foi anunciado. A receita líquida veio em R$ 50,4 bilhões, com EBITDA (geração operacional de caixa) de R$ 7,7 bilhões. A analista avalia que os resultados não devam ser um catalisador para as ações, já que o grande foco dos investidores continua sendo a capitalização da companhia. Segundo a analista, o governo parece ter chegado a um acordo para votar o projeto de lei em 25 de maio, permitindo que a capitalização possa ocorrer antes do verão. A analista mantém a opinião de que o aumento de capital pode surpreender positivamente. Ela reitera a recomendação outperform (desempenho acima da média de mercado), com preço justo de R$ 53,7.

» TAM: resultados fracos
Os resultados da TAM no 1º trimestre foram fracos, na visão da analista Renata Faber. A margem EBIT foi de 3,7%, quando a expectativa do analista de 4,5%. Vale destacar também que a margem EBIT da Gol no mesmo período foi de 11,1%. Embora a analista acredite que o mercado já esperasse uma margem entre 3% e 5%, ela ainda avalia que os números devem impactar as ações negativamente. A receita líquida foi de R$ 2,603 bilhões, com EBIT de R$ 96,3 milhões (16,6% abaixo das estimativas da analista), refletindo principalmente despesas maiores do que o esperado com combustíveis. A analista acredita que a margem EBIT deva desapontar os investidores, mas mantém a recomendação market perform (desempenho em linha com a média de mercado), dado que, na visão da analista, o setor deve continuar se beneficiando da demanda mais forte em 2010, tanto no mercado doméstico quanto no internacional. O preço justo para TAMM4 é de R$ 33,3.

» AES Tietê: números fortes, ação defensiva contra inflação
A AES Tietê (GETI4) divulgou na sexta-feira resultados acima do esperado para o 1º trimestre, na visão do analista da Itaú Corretora Marcos Severine, especialmente na linha do lucro líquido. O analista acredita que o mercado deva reagir bem aos resultados hoje e, na sua opinião, a empresa é a melhor opção para se posicionar num cenário de alta de inflação, na medida em que 100% da sua receita é ajustada pelo IGP-M. A receita líquida da companhia somou R$ 460 milhões, com EBITDA de R$ 378 milhões e lucro líquido de R$ 239 milhões. Os números reforçam a visão positiva do analista, que reitera a recomendação outperform (desempenho acima da média de mercado) para as ações. Na sua visão, é um nome defensivo contra a inflação e um ótimo nome para dividendos (ele espera dividend yield de 12% para 2010 e de 2011 para 13,4%), com valuation e múltiplos atraentes.

» Fibria: resultados fortes no 1º tri
A Fibria (FIBR3) divulgou seus resultados do 1º trimestre, que vieram bastante fortes, na opinião do analista Marcos Assumpção, com a margem EBITDA atingindo 38% (a projeção do analista era de 35%). Essa margem EBITDA mais forte do que o esperado pode ser explicada, principalmente, por i) custo caixa menor e ii) custos de vendas, gerais e administrativos (SG&A, na sigla em inglês) mais controlados. O analista acredita que a ação deva reagir bem a esses resultados. Ele mantém a recomendação market perform (desempenho em linha com a média de mercado), com preço justo de R$ 42, na medida em que continua a acreditar que os preços de celulose estão perto de um pico, de maneira que a história de desalavancagem (redução dos níveis de endividamento) da Fibria pode começar a desacelerar no 4º trimestre de 2010. Além disso, o analista vê pouco espaço para que a Fibria possa anunciar um plano de crescimento no curto prazo, dado o nível ainda alto de alavancagem da companhia (dívida líquida/EBITDA de 5,6x).

» Guararapes: resultados sólidos

Os números operacionais de Guararapes vieram basicamente em linha com as estimativas da analista Juliana Rozenbaum, porém mistos no detalhe. As vendas vieram ligeiramente menores, com um crescimento de 12,1% (esperado 12,5%), que acabou sendo compensada com maior margem bruta de 53,1% e um forte desempenho no segmento de financiamento ao consumidor que apresenta nível de inadimplência bastante saudável. Do lado do EBTIDA de indústria evarejo, embora este tenha vindo um pouco menor em relação às expectativas da analista, devido a maiores despesas gerais, de vendas e administrativas, o EBITDA consolidado foi beneficiado com uma maior contribuição do business de financiamento ao consumo cuja contribuição foi muito maior do que o esperado (41% do EBTIDA consolidado). O lucro líquido surpreendeu positivamente devido a menores despesas financeiras ficando em R$ 52,3 milhões. Considerando que já havíamos revisado as estimativas para a companhia recentemente visando incorporar perspectivas mais otimistas ao desempenho operacional da mesma, não há nenhuma mudança em termos de valuation de forma que a analista mantém a recomendação de outperform e preço justo de R$ 75,80 para 2010.

Carlos Constantini

* este relatório foi elaborado pela equipe de Pesquisa de Renda Variável da Itaú Corretora.

Nenhum comentário:

Postar um comentário