quinta-feira, 13 de maio de 2010

Boletim Investshop 13/05

Boletim diário Investshop de 13/05/10

Em dia de agenda fraca, balanços e Bernanke concentram as atenções

Após dias de tensão e quedas expressivas nos mercados financeiros, o relativo alívio trazido pelo anúncio do pacote de ajuda de 750 bilhões de euros para os países da zona do euro ajuda as bolsas da região a permanecerem no terreno positivo na manhã desta quinta-feira. As incertezas, no entanto, ainda pairam no ar e os futuros americanos operam perto da estabilidade.

Em um dia de agenda macroeconômica fraca – sem destaques na pauta doméstica e contando apenas com a divulgação dos números semanais de pedidos de auxílio-desemprego nos EUA – as atenções se voltam para a temporada de balanços, que segue a pleno vapor no mercado interno. Nos EUA, destaque para a participação de Ben Bernanke, o presidente do Fed, em uma sessão de perguntas e respostas em conferência na Filadélfia.

Na Ásia os principais mercados fecharam em forte alta, influenciados pelo fechamento de ontem em Wall Street. A bolsa de Tóquio registrou valorização de 2,2%, enquanto Hong Kong subiu cerca de 1%. Na China o índice Xangai Composto registrou alta de 2,1% e fechou no maior ganho percentual diário em mais de seis semanas.

Curtas

» Lupatech: resultados positivos
Os resultados de Lupatech (LUPA3) no 1º trimestre vieram acima das expectativas da analista Paula Kovarsky e do consenso de mercado. A analista afirma que os números finalmente mostraram alguma melhora, refletindo uma atividade maior no segmento de energia e alguma redução em despesas gerais e administrativas, o que, na visão da analista, é positivo. O EBITDA (geração operacional de caixa) ficou em R$ 20,1 milhões, com margem de 13,6%, quase o dobro das projeções. Ela destaca, no entanto, que a sua projeção de EBITDA para este ano é de R$ 146 milhões, o que implica uma margem de 21,4%, de forma que ainda são necessárias melhoras significativas para este ano, conforme os contratos com a Petrobras comecem a gerar receita. A analista lembra que o mercado tem esperado essa melhora nos resultados já há algum tempo e, após a ação ter apresentado desempenho consistentemente abaixo do mercado desde o começo do ano, ela acredita que o papel possa ter uma reação positiva hoje, em decorrência dos resultados e da melhora na carteira de pedidos. No entanto, ela destaca que a ação já subiu 8,4% ontem, possivelmente antecipando esses números. Por enquanto, a analista mantém uma postura cautelosa em relação à empresa, com recomendação market perform (desempenho em linha com o mercado) e preço justo de R$ 31. A empresa menciona também anúncios futuros relacionados a assinaturas de novos contratos com a Petrobras, que devem ajudar a ação, mas a analista só acredita em um desempenho mais consistente quando esses benefícios aparecerem no lucro.

» ANP estima volume de poço em 4,5 bilhões de barris
A ANP (Agência Nacional do Petróleo) divulgou ontem um comunicado afirmando que o poço Franco, que a Petrobras perfurou para avaliar a área contendo os 5 bilhões de barris de óleo equivalente que seriam parte da capitalização, tem um volume estimado de 4,5 bilhões de barris de óleo equivalente. De acordo com a Petrobras, o fator de recuperação de 10% previsto na última estimativa era muito conservador e eles agora acreditam que mais petróleo possa ser extraído. Na visão da analista Paula Kovarsky, isso indica que é improvável que a ANP venha a ser uma barreira para o processo de capitalização.

» Brasil Foods: resultados acima das expectativas
Os resultados operacionais da Brasil Foods (BRFS3) vieram acima das expectativas da analista Juliana Rozenbaum e do consenso de mercado, com uma recuperação maior do que a esperada na lucratividade, na medida em que a margem EBITDA alcançando um patamar significativo de 8,9% (contra 3,6% no 1º trimestre de 2009 e de 7% no 4º trimestre de 2009). Os números se beneficiaram principalmente do alívio nos custos de matéria-prima e de uma recuperação parcial nas margens de exportação. A receita líquida foi de R$ 5,047 bilhões e o lucro líquido em R$ 53 milhões. Na visão da analista, essa recuperação mais rápida do que o esperado apenas se soma às perspectivas positivas que podem vir do aumento da visibilidade dos ganhos de sinergia. A analista continua a acreditar que a fusão entre Sadia e Perdigão seja aprovada pelos órgãos reguladores no 2º semestre de 2010, o que permitiria um valuation mais preciso, assim como uma maior visibilidade sobre as sinergias de investimentos, o que, na visão da analista, pode aumentar a geração de fluxo de caixa da Brasil Foods. A analista mantém a recomendação outperform para BRFS3, com preço justo de R$ 26,9 e destaca que é importante acompanhar hoje a conferência que a empresa promoverá com analistas para discutir o resultado.

» Pão de Açúcar: sem novidades sobre Casas Bahia
O Pão de Açúcar (PCAR5) promoveu ontem seu encontro anual com investidores, para estratégia e guidance (indicação de resultados) para os próximos três anos. Para a analista Juliana Rozenbaum, o evento perdeu um pouco da importância em virtude da ausência de notícias sobre a fusão com a Casas Bahia. Pelo cronograma original, ontem deveriam ter sido apresentadas as finanças da Casas Bahia, uma discussão detalhada de sinergias e um cronograma para a integração. Como a fusão ainda está pendente, nada disso ocorreu e não foi dada indicação do timing para isso, apenas o Sr. Abílio Diniz afirmando novamente que as negociações estão caminhando e que ele tem confiança num resultado positivo. Como destaques positivos, a analista cita o guidance inicial para as margens do GPA.com, assim como as operações de Globex (antes de Casas Bahia). A analista afirma que não houve nenhuma novidade no evento que possa mudar sua visão para a empresa. Por isso, reitera a recomendação market perform (desempenho em linha com o mercado), com preço justo de R$ 75,8 para o final de 2010.

» Heringer: resultados em linha
A Heringer (FHER3) divulgou seus números referente ao 1º trimestre de 2010, que vieram bastante em linha com as estimativas de nossa analista do setor, Paula Kovarsky. A empresa apresentou recuperação de rentabilidade após um trimestre de perdas, mas a margem EBTIDA permaneceu muito baixa em 1,5%. A competição entre os distribuidores de fertilizantes continua afetando a política de preços da companhia. Alem disso, a sazonalidade do setor não ajuda, uma vez que a concentração maior de vendas se dá no 2º semestre. Do lado positivo, Heringer entregou uma expansão de vendas significativa na comparação anual (+35%), refletindo a recuperação da entrega de fertilizantes para as principais culturas: soja, milho, reflorestamento, cana-de-açúcar e outras. Receita líquida ficou em R$ 652,7 milhões, 1,9% acima do esperado. O EBTIDA, por sua vez, veio em R$ 9,9 milhões versus R$ 11,4 milhões no 1º trimestre do ano passado. Por fim, perdas oriundas da variação cambial contribuíram negativamente com um resultado financeiro de - R$ 28,6 milhões, resultando em um prejuízo de R$18,7 milhões neste primeiro trimestre do ano. Apesar do fraco desempenho das ações de Heringer no ano, mantemos a recomendação de market perform e preferência pelas ações de Fosfertil no setor.

» Eletropaulo: atualização de estimativas
Atualizamos nossas estimativas e valuation para as ações de Eletropaulo (ELPL6), incorporando um cenário macroeconômico mais positivo, os resultados referentes ao 4º trimestre e um maior nível de endividamento. Como resultado, nosso preço justo para as ações este ano caiu para R$ 43,00, ante R$ 45,00. Dessa forma, reiteramos nossa recomendação market perform, apesar do potencial de valorização de 33%, uma vez que vemos opções mais atraentes no que se refere a players de dividendos tais como AES Tietê (GETI4), ou no que tange a crescimento com Cemig (CMIG4) e ainda em termos de expectativas de melhores resultados com Energias do Brasil, Cemig e Eletrobras (ENBR3, CMIG4 e ELET3). Por fim, AES Tietê, Energias do Brasil e Cemig também estão entre as empresas que possuem uma exposição à inflação que neste ano tem sido revisado para cima. Além disso, é importante mencionar que o terceiro ciclo de revisão tarifária representa um risco relevante para todas as empresas do segmento de distribuição, e como Eletropaulo é uma distribuidora pura, é a que está mais exposta a surpresas negativas.

» Tractebel: analista revisa estimativas
Aproveitamos também para atualizar nossas premissas para Tractebel (TBLE3) e, além de contar com as novas premissas macroeconômicas e resultados do 4º trimestre de 2009, também incorporamos um mix de vendas diferente em 2010 e 2011, que causou uma pequena queda no preço médio de vendas e um nível de alavancagem também maior por conta da incorporação do ativo de Estreito, uma planta hidrelétrica. Como conseqüência, nosso preço justo para 2010 foi reduzido para R$ 29,50 ante R$ 31,00 anteriormente, o que implica um potencial de valorização de 36%. Apesar disso, reiteramos nossa recomendação market perform, pois, apesar da empresa contar com expectativas de crescimento, acreditamos que a ação não deverá trazer nenhuma surpresa positiva em termos de performance nos próximos meses por conta de fracos resultados que deverão ser apresentados (1º trimestre de 2010), nenhum avanço no que se refere a possíveis mudanças no modelo de transferência de ativo da Suez (sua controladora) para Tractebel e ausência de catalisadores de curto prazo.  

» Copel: resultados desapontadores
Os resultados da empresa referentes ao 1º trimestre desapontaram nossas expectativas e o consenso do mercado de forma que esperamos uma reação negativa das ações no pregão de hoje. A receita líquida veio em R$ 1,501 bilhão, 2,6% acima do que esperávamos, mas o EBTIDA de R$ 324 milhões veio 21% menor do que nossas estimativas e 21,8% menor em relação ao que o mercado esperava. Por fim, o lucro líquido ficou em R$ 224 milhões, 2,4% acima das expectativas devido a um evento não-recorrente (reversão de provisão no trimestre). O resultado mais fraco apenas corroborou a visão menos positiva do analista Marcos Severine para as ações da empresa no curto prazo, uma vez que a Copel já apresentou forte desempenho desde novembro do ano passado, principalmente por conta da antecipação da saída do atual governador do Paraná, Roberto Requião, e agora há uma ausência de novos catalisadores até as eleições em outubro de 2010.

» Transmissão Paulista: prévia de resultados
Resultado de TRPL4 no dia 13 de maio não deverá ser catalisador para as ações da empresa. De acordo com nosso analista do setor, Marcos Severine, esperamos que Transmissão Paulista apresente receita liquida de R$ 414 milhões, em linha com o consenso do mercado. O EBTIDA, por sua vez, deverá atingir R$ 309 milhões, 9% abaixo do que o mercado espera devido a um aumento nas despesas pessoais, serviços de terceiros e provisões. Por fim, o lucro líquido estimado é de R$ 191 milhões, ou seja, 16% menor do que o apresentado no 1º trimestre de 2009, explicado basicamente por conta de uma despesa financeira maior. Em termos de dividendos, a empresa continha com sua política agressiva de pagamento. Para este ano esperamos um dividend yield de 10% para este ano e 10,1% para 2011. Por acreditar que há melhores opções no setor, a recomendação para Transmissão Paulista permanece como underperform com preço justo de R$ 58,40.

» Brookfield: resultados em linha
A Brookfield (BISA3) apresentou resultados no 1º trimestre em linha com nossas estimativas. A empresa já havia divulgado os números pré-operacionais anteriormente de forma que os números oficiais não deverão trazer nenhuma surpresa ao mercado. Embora a receita reconhecida tenha vindo menor do que a esperada, as margens surpreenderam positivamente em 35,1% acima do patamar de 31,3% apresentado no trimestre anterior. O lucro líquido ficou em R$ 52 milhões, bastante em linha com nossas estimativas. Mantemos nossa recomendação de outperform para as ações da empresa e preço justo de R$ 12,60 para 2010. Depois do fraco desempenho no último mês, acreditamos que o atual nível de preço oferece uma oportunidade de compra e ainda conta com um potencial catalisador para a recuperação das ações que seria a venda de um projeto comercial nos próximos meses.

» Iochpe: analista reforça recomendação outperform
Os resultados da Iochpe (MYPK3) no 1º trimestre de 2010 vieram sólidos e em linha com as estimativas da analista Renata Faber, refletindo a forte produção de caminhões no Brasil (que se refletiu em crescimento de 28,8% nas receitas em relação ao mesmo período do ano passsado), a aquisição da Fumagalli e a alta margem bruta (que atingiu 19,8%, 0,60 p.p. acima do esperado), em consequência de um melhor mix. A analista reforça a recomendação outperform (desempenho acima da média do mercado) e espera que as ações da empresa, apesar do forte desempenho no ano, continuem com boa performance. O preço justo para o final de 2010 é de R$ 20, o que representa um potencial de valorização de cerca de 25%.

» Feedback da reunião com novo CEO da Usiminas
Realizamos ontem uma reunião com o novo CEO da Usiminas, Wilson Brumer, e ficamos positivamente impressionados pelo foco do executivo em sua nova posição e seu interesse em aumentar a visibilidade da companhia, principalmente com os investidores estrangeiros. Entre os principais pontos abordados na reunião, gostaríamos de salientar: i) a potencial venda da participação da empresa na Ternium que deverá ocorrer no curto razo (em torno de US$ 1 bilhão) através de uma oferta secundária o que poderá causar um overhang sobre as ações de Ternium, ii) a empresa mantém interesse na venda de uma participação da mina J. Mendes para um investidor estratégico (mais provável do que um IPO do ativo) ainda em 2010, iii) a empresa também está mais otimista em relação ao próximo aumento de preços de aço no 2º semestre e iv) não é esperada nenhuma mudança na atual alíquota de importação de aço no curto prazo.

Carlos Constantini

* este relatório foi elaborado pela equipe de Pesquisa de Renda Variável da Itaú Corretora.

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