terça-feira, 4 de maio de 2010

Boletim Investshop 04/05

Boletim diário Investshop 04/05

Produção Industrial cresce 2,8%, mas Europa ainda preocupa

Veio mais forte do que o esperado a produção industrial em março. Dados divulgados há pouco pelo IBGE mostram que houve um crescimento de 2,8% em relação a fevereiro. A projeção dos economistas do Itaú Unibanco era de uma alta de 2%.

Isso não é garantia, no entanto, de um dia de ganhos nos mercados. Lá fora as principais bolsas europeias operam no terreno negativo nesta manhã, assim como os futuros norte-americanos, e o motivo é o mesmo que vem pesando sobre o mercado nas últimas semanas: a situação fiscal dos países europeus, especialmente da Grécia, e o risco de contaminação para outras economias da região.

Na pauta norte-americana, saem hoje, às 11h, as vendas de imóveis pendentes e os dados de encomendas à indústria, ambos referentes a março. Já a agenda local contou, além da produção industrial, com o IPC-Fipe de abril registrando inflação de 0,39% em abril, acima dos 0,34% registrados em março.

Curtas

» PDG anuncia aquisição da Agre
A PDG (PDGR3) anunciou ontem à noite a aquisição da Agre (AGEI3), por meio de uma operação de troca de ações. A nova companhia será a maior incorporadora do país em termos de valor de mercado e vendas contratadas em 2009, com participação de 2,1% no Ibovespa. A relação de troca proposta, de R$ 0,4948 ação da PDG por ação da Agre, está em linha com o preço de fechamento de ontem. Para o analista da Itaú Corretora David Lawant, a fusão é positiva para ambas as companhias. Para os acionistas da PDG, o analista avalia que o principal benefício vem do aumento da diversificação tanto em termos de segmentos de renda quanto geograficamente, especialmente nas regiões Norte e Nordeste. Para os acionistas da Agre, o analista destaca que a marca da PDG vai melhorar a gestão financeira e eliminar incertezas quanto às relações entre os acionistas controladores. Os principais diretores da Agre vão continuar na nova companhia, com um contrato de cinco anos e uma cláusula em que se comprometem a não trabalhar para nenhum concorrente por dois anos depois de sair da empresa.  A Agre vai vender sua participação de 70% na Asacorp, sua subsidiária de baixa renda, para evitar sobreposição com a Goldfarb, o braço de baixa renda da PDG. As duas companhias agora devem convocar assembleias de acionistas para aprovar a transação, o que, na visão do analista, deve ocorrer rapidamente.

» Br Malls: resultados neutros
A Br Malls divulgou hoje seus resultados do 1º trimestre, que na visão do analista da Itaú Corretora David Lawant, são neutros. Os números operacionais reforçam a sua visão de que o cenário para os shoppings brasileiros é sólido. Pelo lado financeiro, o analista destaca que a margem EBITDA veio um pouco menor do que as suas estimativas. As vendas levando em consideração as mesmas lojas cresceram 16,2% e o aluguel da mesma área teve alta de 8,6%. A receita líquida cresceu 31,7% A/A, para R$ 106 milhões, em linha com as estimativas do analista. Apesar do forte desempenho da ação neste ano (+2,8%, contra queda de 2,1% do Ibovespa e de 7,4% para o índice IMOB), ele mantém a recomendação outperform (desempenho acima do mercado) para BRML3, com preço justo de R$ 28,70. Na sua visão, os resultados mostram a força do setor de shoppings no Brasil e a expertise da Br Malls em extrair valor do seu portfólio atual.

» TIM: números fortes, mas em linha
A TIM (TCSL3/4) divulgou há pouco seus resultados do 1º trimestre de 2010, que, na visão dos analistas da Itaú Corretora Carlos Constantini e Susana Salaru, vieram fortes, mas em linha com as expectativas. Ela destaca que a companhia conseguiu entregar crescimento de receita, o que não havia ocorrido em 2009. As margens ainda ficaram abaixo das da Vivo, mas mostraram expansão. Outro ponto positivo, destacam os analistas, é que houve redução de custos. Para os analistas, o mercado deve ter uma reação neutra aos números.

» Açúcar Guarani: mais esclarecimentos sobre parceria
A Açúcar Guarani (ACGU3) realizou ontem uma conferência com analistas de mercado para esclarecer os pontos da parceria entre a Tereos Internacional e a Petrobras, como uma forma de alavancar o crescimento do mercado de etanol no Brasil. Para as analistas da Itaú Corretora Paula Kovarsky e Giovana Araujo, a maior parte do crescimento deve ser orgânica, embora não descartem a possibilidade de aquisições. Considerando o investimento de R$ 2,2 bilhões e assumindo um investimento de cerca de US$ 100/ton, a empresa conseguirá adicionar 12 milhões de toneladas à sua capacidade atual de moagem de cana, de 17 milhões de toneladas, bem acima da atual estimativa das analistas, de 3,5 milhões de toneladas para os próximos cinco anos. No entanto, as analistas destacam que os minoritários da Guarani vão capturar 54,3% dos benefícios decorrentes dessa parceria, na medida em que, após a reestruturação corporativa, a Tereos Internacional terá uma participação de 54,3% em Guarani. Elas mantêm a recomendação market perform para as ações da companhia, com preço justo de R$ 6,8/ACGU3.

» SECEX: volumes de exportação
Os números da SECEX (Secretaria de Comércio Exterior) em abril para exportações de proteínas trouxeram boas notícias nos segmentos de bovinos e suínos, que tiveram melhoras importantes de preços, enquanto frango registrou uma queda de volume e preços estáveis em relação ao mês anterior. No acumulado do ano, apenas o segmento de bovinos conseguiu manter os preços em dólar em níveis altos o suficiente para compensar a apreciação do real, o que, aliado a custos um pouco mais baixos de insumos, pode ter permitido alguma expansão de lucratividade. Para frango, os preços médios ainda estão 5,2% menores A/A, o que deve ser compensado por algum alívio nos preços dos grãos. Para o segmento de suínos, a receita total em reais continua bem abaixo de 2009 e ainda depende de uma recuperação mais consistente nos preços (os números de abril trouxeram sinais positivos nessa direção).

» Natura: novo preço justo é de R$ 42,6
A analista da Itaú Corretora Juliana Rozenbaum revisou suas estimativas para Natura (NATU3), incorporando os resultados da companhia no 4º trimestre de 2009 e um cenário macroeconômico mais positivo. A analista manteve a recomendação market perform (desempenho em linha com o mercado) e elevou seu preço justo em 6%, para R$ 42,6, o que representa um potencial de apreciação de 15%. Apesar de manter uma visão positiva sobre a companhia, ela não vê potencial de apreciação suficiente para justificar uma recomendação de compra para a ação. Há dois eventos novos neste trimestre (mudanças no timing histórico do repasse de preços e os primeiros sinais de flexibilidade no back office) que merecem atenção e podem se traduzir em um potencial de valorização no longo prazo.

Carlos Constantini

* este relatório foi elaborado pela equipe de Pesquisa de Renda Variável da Itaú Corretora.

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